segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Start a Diary and Write in it Every Day


Ok, nem todos os dias. Mas tive dias em que escrevi tanto que valeram por semanas inteiras. Meses inteiros. Eu devia ter uns 10 anos quando a minha mãe me deu o meu primeiro diário. Ela deu-mo como uma pequena recompensa por eu estar a ter um desempenho muito bom na escola. Mas não mo deve ter dito, ou então não o frisou, porque ela queria ser coerente com uma das máximas dos meus pais ao educarem-me: a escola só me traria benefícios, assim como o trabalho que eu ali desenvolvesse. Seria um trabalho que eu faria para mim, não faria sentido presentear ainda mais uma coisa que já por si é um presente. E, aqui entre nós, eles não pensariam em tal "presenteamento", em boa parte, porque eu tinha rasgos de perfeccionismo em tudo o que fazia. Não era preciso estimular isso ainda mais. Também ninguém me dizia que eu tinha de trabalhar ou me mandava estudar. Eu era do mais trabalhador e do mais autónomo que podia haver. Mas nessa altura, eu ainda era equilibrada. Mais tarde é que "viajei na maionaise". Mas mesmo assim, consegui ter o bom senso para pôr um travão na altura certa. Venha de lá o diário.

Foi uma paixão que começou nesse dia e nunca mais acabou. Aliás, nem a minha mãe sabia o que por ali vinha, e que eu viria a ser uma viciada na escrita sem emenda. A escrever longos testamentos por tudo e por nada. A ser das poucas pessoas do mundo que ainda troca correspondência via CTT; papeis com coisas escritas; postais ou mesmo só folhas (adoro texto corrido, sem bonecada, pelo que prefiro a versão não postal). Mesmo quando me correspondo com as pessoas por e-mail, é parecido. Claro que tudo isso já foi muito pior; hoje não tenho tempo para caprichos, embora continue a lutar por encontrar tempo; escrever muito é o meu capricho favorito. 

O meu diário tem uns 22 volumes efectivos, com mais apêndices (pequenos blocos que vou enchendo quando ando por aqui e por ali e não tenho o diário propriamente dito à mão). Isto para já não falar em tudo o resto. Capas e dossiers sobre isto ou sobre aquilo, mais um caderninho disto e uma agenda de aqueloutro. Quando era miúda descrevia cada detalhe, cada pormenor do meu dia a dia. A cor do céu, a cor das meias da amiga, o nome completo da amiga, cada brincadeira que havíamos feito, a descrição completa de cada folha de bloquinho colorido e com cheiro que trocámos, para as respectivas colecções. Eu era minuciosa. Hoje, além de não conseguir ler esses diários (é demasiada descrição!), utilizo-os para um propósito ainda mais intragável: divagar. E se fosse assim, e se tivesse sido assado. Acho que vai ser cozido, a minha intuição diz-mo, estou quase certa. Os anos fizeram com que eu me arrogasse no direito e capacidade de prever o futuro. Muitas vezes prevejo mesmo, com seria de esperar de uma pessoa quase idosa, como eu. Neste mundo, os padrões repetem-se um número considerável de vezes, embora a sabedoria deva dizer que devemos manter a mente aberta e não analisar a realidade com muitas certezas e preconceitos. Tenho pena da pessoa que algum dia tiver de ler os meus diários, espero que isso nunca venha a acontecer a ninguém. As partes divertidas estão em blogues e na minha memória, algumas já com partes significativas apagadas pelo tempo. Lembro-me de uma ou duas descrições mais engraçadas, apesar de tudo. Talvez um dia destes eu venha aqui transcrever algumas coisas. Se eu tiver coragem de me pôr, efectivamente, a ler os bichos. Entretanto, creio que encontrei uma solução de organização de diários: em dossiers cheios de folhas, coloco as divagações. Em bloquinhos, caderninhos, livrinhos e agendinhas mais bonitinhos, escrevo as coisas que é suposto serem para se ler. Assim tenha eu tempo de escrever seja o que for...


6 comentários:

  1. Sempre que tinha um diário, fartava-me rapidamente dele x)

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  2. Já eu, continuo diario-dependente :) Ainda hoje escrevi nele!

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  3. Se nem com o meu blogue sou fiel. Leio muito, mas escrevo pouco, assim sou eu. Rais parta, que nunca mais publiquei nada!

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  4. Oh, Mafalda, então? Mal empregado blog! A escrita, para mim, é uma necessidade, não uma obrigação!

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  5. Eu, depende das alturas. Às vezes é mesmo uma obrigação! Resta saber por que motivo criei o blog...

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  6. Não desesperes :) As inspirações vão e vêm, aguarda que ela volta. Só não te pressiones a escrever, não sai nada de jeito!

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