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sábado, 16 de setembro de 2017

Eat pasta in Italy - Parte III

 ("Verona, Italy - Visitors to “Juliet’s Wall” write and post small love letters with the belief that this will make their love everlasting." Pinterest)

Podia descrever aqui toda a viagem a Itália. Já não me lembro de muita coisa, mas do que me lembro dava bem para contar aqui uma história maior do que esta já vai. Mas não me apetece (incrível, não é? Como é que alguém que escreve estes testamentozinhos como posts num blog, ainda por cima neste tipo de letra, se nega a contar a história da semana que passou em Itália, no século passado? - literalmente século passado) Não me apetece, tenho mais que fazer. Ando com a casa do avesso, em arrumações, só venho aqui nos intervalos. Tenho de ir despachando isto, se não nunca mais. Isto e tantos outros projectos que tenho pendentes! 

Deixemos as divagações para trás e concentremo-nos no que nos trouxe aqui: pasta. In Italy. 

Fiquei na casa em que a minha amiga vivia com outros colegas Erasmus e mesmo italianos. A casa era linda, tenho tanta pena que na altura não existissem os telemóveis que há agora ou que eu não tivesse uma máquina para tirar umas fotografias à maneira. Tinha uma máquina de rolo, que devia ser até da minha mãe que sempre foi quem deteve esse tipo de objectos lá em casa. Sei que tive de mandar revelar as fotografias, e que ficou caro, porque eram muitas. Nem sei bem onde elas andam, mas sei que eu não figuro em nenhuma delas. Nem a minha amiga. Não gostávamos de pousar para fotografias. Eu continuo a não gostar, ela não sei. Isto para dizer que eu não era uma turista comum. Eu não tinha de me alimentar como um turista normalmente se alimenta. Eu podia alimentar-me como os autóctones e outros tipos de residentes: ir ao supermercado. Tinha onde cozinhar o que comprava. Podia fazer sandes de manhã antes de ir viajar pelo país fora. Por acaso uma coisa que eu fiquei a achar interessante, é ir ao supermercado em outro país. Vamos aos museus, aos monumentos, e ao supermercado. Acho que é uma maneira interessante de ficar a perceber mais alguma coisa sobre o estilo de vida das pessoas. Fui ao supermercado, comprei coisas e comi as coisas que comprei. Para poupar dinheiro, claro está, que isto tudo foi com contenção de gastos. Onde gastei mais foi mesmo nas viagens de avião, porque o alojamento foi grátis, a comida quase toda do supermercado e não fomos a sítios que não fossem de entrada gratuita ou quase. O nosso almoço era quase sempre sandes. Ia passando por Itália sem comer pasta. Mas comi, acabei a comer numa salada que a minha amiga me ensinou a fazer com queijo mozzarella, tomate, azeitonas verdes, alho, azeite e óregãos. E, claro está, pasta. Penne, mais propriamente. Pasta fredda, ou algo assim, era o nome do prato.
(continua...)


Et pasta in Italy - Parte I



Foi a minha viagem de finalistas. Sempre fui muito individualista. Os meus colegas foram para um qualquer destino de praia, no sul de Espanha, num rasgo de absoluta originalidade. Um sítio onde se pudessem enfrascar à vontade à noite, já que a "vida séria" estava prestes a começar. Não compreendo por que motivo têm de haver datas marcadas para nos sentirmos assim ou assado ou para gostarmos disto ou aquilo. As coisas que eu gostava de fazer, nunca tiveram data para acabar, só porque uma fase da vida acaba. Ok, as coisas que eu gostava de fazer nunca incluíram estilos de vida tão ruinosos que não se podem praticar mais do que uns quantos anos. Nunca gostei de me enfrascar, pelo que os meus colegas não estranharam quando eu disse que não queria ir. E, grande festa, quando achei uma desculpa ainda melhor do que simplesmente não querer (por mais queridos e simpáticos que os meus colegas de curso fossem - que eram, ainda hoje falo com metade deles - ok, eram poucos). Eu era diferente e eles, mesmo assim, aceitavam-me como eu era. Serei para sempre grata aos que foram suficientemente corajosos para tal (triste, este mundo, onde é preciso coragem para se aceitar a diferença). Hoje, já não me sinto assim tão diferente, mas na altura sentia. E era. É que os adolescentes costumam sentir-se diferentes sem serem (porque depois acabam a ser completamente iguais entre si). Eu hoje sou uma pessoa tão normal que chateia. Mas agora apetece-me ser assim. Eu que falei tanto contra a normalidade. Vou tentar não ser assim muito muito normal. Mas é que o descanso está a saber-me bem. Quando descansar, e me cansar de ser normal, logo volto a ser anormal. No meu caso, não é difícil (tenho propensão genética). Mas sabemos que os seres humanos costumam ter dificuldade em ser anormais sem prejudicar ninguém, algo de que faço questão. Ao ser anormal como deve ser, é preciso lembrar-nos disso. Se não, não vale.  

Mas voltemos ao assunto do post. Encontrei uma desculpa que não só fazia com que a ideia de que eu não queria a companhia dos meus colegas se dissipasse, ao mesmo tempo que me dava um aspecto mais "cool". Eu tinha uma amiga que estava a fazer Erasmus em Itália e que me tinha convidado para ir ter com ela. Era uma oportunidade que eu não podia perder. Pouco tempo depois ela estaria de volta a Portugal, portanto eu tinha de aproveitar. E foi assim que rumei a Bolonha. Sozinha num avião.
(continua)