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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Tempo Parado (become who I always wanted to be)


Eu queria ser diferente do que era. Olhava para mim e achava que eu não era eu, que era só parte de mim. Outra eu estava escondida em outra dimensão e eu não sabia como chegar-lhe. Não desgostava daquela parte, mas estava cansada da incompletitude. Vivia curiosa de saber como era eu na íntegra, mas ao mesmo tempo medrosa de nunca vir a conhecer e ter de viver para sempre assim. Obliterada. Por medos e inseguranças que não deixavam fazer nada, ou quase nada. Nada que me fizesse sair da zona de conforto. Nada que permitisse conhecer o que não conhecia, correr riscos. E como eu gosto, e como eu preciso, de sair da zona de conforto! A pessoa que eu sou e sempre fui, sempre precisou sair todos os dias da zona de conforto. Para evoluir, para a alma se nutrir. Mas eu não conseguia sair. Como se existissem umas amarras invisíveis, como se não conseguisse evoluir por o tempo ter parado para mim. Sentia-me congelada e parada no tempo, ao mesmo tempo que todos se moviam em todas as direcções, eu estava ali, parada, para o bem e para o mal. Olhava ao redor e sentia que, para me mover em certas direcções que via outros moverem-se, pois, mais valia estar quieta, sossegada e congelada. Mas queria poder decidir em que direcção ir. Queria também eu trilhar o meu próprio caminho, ter a coragem de fazer o que não via mais ninguém fazer, só eu faria. Queria ter a força que não tinha, para desbravar caminhos só meus. 

Mas não estava assim tão parada nem assim tão congelada. E o mundo não se movia assim tanto e não me deixava assim tanto para trás. Sem querer, eu trabalhava em coisas que não se viam no imediato, aprendia coisas preciosas e adquiria mais sabedoria do que em mil viagens. Mas estava cansada da monotonia, ainda que fosse apenas sensorial. 

Até que saí dali. De repente já podia correr riscos, já podia - e devia - sair da zona de conforto. Não sei ao certo o que sucedeu, o que mudou, mas algo mudou e nada voltou a ser como era. Ao princípio fiquei confusa, não sabia para onde me dirigir, o que fazer com o novo "plafond" energético. Mas quando dei por mim, era exactamente a pessoa que eu sentia que podia - e queria - ser. Sem grandes medos, sem grandes inseguranças, com a coragem a poder ser. A poder ser eu mesma, como nunca antes. Não fiz nada por isso, apenas aconteceu. Apenas desejei; isso sim, eu fiz. Desejar, desejar. E quando se deseja muito, do fundo do coração, os desejos concretizam-se