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sábado, 16 de setembro de 2017

Eat pasta in Italy - Parte IV

 (Burano)

Viajei por várias cidades do Norte de Itália: Bolonha, Veneza, Verona, Florença... Visitei outras cidades, menos proeminentes, mais igualmente belas, como Siena, Ravenna e a fantástica ilhota de Burano. Deve haver mais, mas agora é tudo o que a memória me permite recuperar. Muito andámos nós de comboio. Também andámos de barco. E a pé. Andámos muito a pé. Creio que também visitei Murano. Ah, e Pordenone. Ninguém ouviu falar de tal local (salvo seja), mas é uma cidadezinha encantadora, onde moravam (não sei se ainda moram), os tios de uma amiga da minha amiga, que havia estado em casa destes e, por algum motivo, não havia trazido toda a bagagem de volta para Portugal. Nós fomos lá buscar a bagagem restante da rapariga, já que íamos de passeio. Os senhores receberam-nos maravilhosamente bem. Lembro-me de ter tomado o banho dos justos e comido verdadeira pasta, só com garfo, numa mesa posta no jardim, ao pôr do sol, já mais para a noite do que para a tarde. A conversa não foi muito fácil, uma vez que só o tio da rapariga falava português. Eu deixei-me ficar caladinha a observar e a ouvir, que é assim é que se aprende. Eu era muito assim. Às vezes ainda sou. E quando não sou, acabo sempre por chegar à conclusão que devia ser mais. Em boca calada, não entra mosca nem sai asneira.

Na "casa Erasmus" da minha amiga, Bolonha, acabámos por não comer assim tanto. Decidi só pensar em colocar o essencial no frigorífico, a partir do momento em que soube que um espanhol me tinha comido o iogurte (sem que eu nunca chegasse a ver as trombas do dito cujo, salvo seja, e muito menos a dar autorização para que comessem a minha comida - nada contra, mas ainda hoje me irrita estar de pensamento fixo em algo que penso que tenho e depois vai-se a ver e afinal já não tenho). Tinha de ser um espanhol (nada contra os espanhóis, ok? só que... pronto). Mas dessa viagem retenho na memória algumas imagens magníficas e uma delas é a desse jantar e das silhuetas das coisas e das pessoas mergulhadas naquela pouca de luz restante. Eu sentir que nem acreditava naquilo tudo. Logo para mim que era tudo tão difícil. Uma coisa destas estava longe de passar pelas minhas melhores expectativas. E, aliás, tantas outras coisas que depois sucederam. 

(não continua. também, já chega de tanta pasta, não?)

Eat pasta in Italy - Parte III

 ("Verona, Italy - Visitors to “Juliet’s Wall” write and post small love letters with the belief that this will make their love everlasting." Pinterest)

Podia descrever aqui toda a viagem a Itália. Já não me lembro de muita coisa, mas do que me lembro dava bem para contar aqui uma história maior do que esta já vai. Mas não me apetece (incrível, não é? Como é que alguém que escreve estes testamentozinhos como posts num blog, ainda por cima neste tipo de letra, se nega a contar a história da semana que passou em Itália, no século passado? - literalmente século passado) Não me apetece, tenho mais que fazer. Ando com a casa do avesso, em arrumações, só venho aqui nos intervalos. Tenho de ir despachando isto, se não nunca mais. Isto e tantos outros projectos que tenho pendentes! 

Deixemos as divagações para trás e concentremo-nos no que nos trouxe aqui: pasta. In Italy. 

Fiquei na casa em que a minha amiga vivia com outros colegas Erasmus e mesmo italianos. A casa era linda, tenho tanta pena que na altura não existissem os telemóveis que há agora ou que eu não tivesse uma máquina para tirar umas fotografias à maneira. Tinha uma máquina de rolo, que devia ser até da minha mãe que sempre foi quem deteve esse tipo de objectos lá em casa. Sei que tive de mandar revelar as fotografias, e que ficou caro, porque eram muitas. Nem sei bem onde elas andam, mas sei que eu não figuro em nenhuma delas. Nem a minha amiga. Não gostávamos de pousar para fotografias. Eu continuo a não gostar, ela não sei. Isto para dizer que eu não era uma turista comum. Eu não tinha de me alimentar como um turista normalmente se alimenta. Eu podia alimentar-me como os autóctones e outros tipos de residentes: ir ao supermercado. Tinha onde cozinhar o que comprava. Podia fazer sandes de manhã antes de ir viajar pelo país fora. Por acaso uma coisa que eu fiquei a achar interessante, é ir ao supermercado em outro país. Vamos aos museus, aos monumentos, e ao supermercado. Acho que é uma maneira interessante de ficar a perceber mais alguma coisa sobre o estilo de vida das pessoas. Fui ao supermercado, comprei coisas e comi as coisas que comprei. Para poupar dinheiro, claro está, que isto tudo foi com contenção de gastos. Onde gastei mais foi mesmo nas viagens de avião, porque o alojamento foi grátis, a comida quase toda do supermercado e não fomos a sítios que não fossem de entrada gratuita ou quase. O nosso almoço era quase sempre sandes. Ia passando por Itália sem comer pasta. Mas comi, acabei a comer numa salada que a minha amiga me ensinou a fazer com queijo mozzarella, tomate, azeitonas verdes, alho, azeite e óregãos. E, claro está, pasta. Penne, mais propriamente. Pasta fredda, ou algo assim, era o nome do prato.
(continua...)