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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Try Yoga


Não foi apenas tentar. Qualquer pessoa sensata, com a dificuldade que eu tenho, teria desistido muito antes. Não é fácil para mim. O meu corpo não é dos mais flexíveis. Mas também não é dos menos. Entretanto, sou demasiado susceptível à pressão feita pelos professores. No início, tive um grupo que dissuadia amavelmente e com graça os excessos da professora, até porque era um grupo de pessoas já com uma certa idade. Pessoas com sabedoria, sem paciência para correrias ou competições. A nossa professora era excelente, era exigente, mas nunca esquecia alguém que estava com dificuldades ou adoentada. Era um grupo muito especial, nunca mais voltei a encontrar outro assim. Encarnavam bastante o espírito do ioga, da não competição, da não violência. Havia momentos em que não tinha vontade de continuar, mas acabava sempre a ir. O facto de ter o corpo constantemente dorido foi sempre um forte dissuasor. No entanto, até me ir embora da cidade, continuei sempre, mesmo que tivesse momentos menos assíduos. Tentei pelo menos três outros professores, com os respectivos grupos e em nenhum consegui continuar. Acabava sempre a sentir-me dissuadida e sem vontade. Eu nunca soube adaptar aquilo que os professores mandavam fazer a mim própria e ao meu corpo, e depois andava sempre cheia de dores. No entanto, no primeiro grupo mantive-me durante 7 anos, talvez oito. Depois, por aí, em diversos sítios, tentei e não gostei. Então em ginásios que ignoram por completo a filosofia, nem pensar, é fugir a sete pés. Entretanto, encontrei algumas escolas que fazem o tipo de yoga que eu gosto, mas em algumas andava-se muito perto da lógica competitiva do ginásio. Até aí me senti incompreendida. Foi então que decidi fazer sozinha, em casa. Já consegui fazer por períodos de algumas semanas, e continuo a tentar encontrar a disciplina necessária para isso, pois creio ser aí que está uma solução de longo-prazo para mim, uma vez que não posso retornar ao grupo inicial. Fazer nos ginásios é mau, mas é mais barato. Fazer nas escolas que eu gosto, normalmente é mesmo muito caro, mas mesmo assim, tenciono voltar lá, nem que seja para me actualizar. 

Tudo começou quando eu percebi que tinha de encontrar uma forma de me acalmar, sem recorrer a medicamentos. No sítio onde estava a viver, procurei por todo o lado e não encontrei. No ano seguinte à busca, mudei de cidade e soube que havia lá um grupo. Foi uma coisa colossal. Significou uma mudança profunda na minha vida. Nunca mais voltei a ser a mesma, isso é certo. E também estou certa que, voltando a fazer ioga, mesmo que à minha maneira, o mesmo voltará a suceder. Passei a andar mais calma, mais confiante, mais focada, mais concentrada, menos tendência para deprimir ou ter problemas menstruais, melhor postura, emagreci, emagreci, emagreci. Controlei o apetite que foi um mimo. Foi uma autêntica revolução na minha vida.

Entretanto, contudo, uma coisa ficou: a meditação. É parte do ioga, é a parte em que a mente é estimulada a concentrar-se. Entretanto a meditação que se faz nas aulas de ioga não é, para mim, a mais eficaz. Eu preciso focar-me em algo, mas não pode ser uma vela. Tem de ser algo positivo, não pode ser algo neutro. A minha fraca atenção precisa de um estímulo mais forte. Entretanto, para mim é também importante escrever, como forma de me ajudar a focar. Conhecendo o que é meditar, procuro focar-me em afirmações positivas, imagens positivas: visualizar as minhas metas atingidas, visualizar coisas boas a acontecerem. Por vezes, descrever essas coisas boas. Isso transporta-me para um nível de relaxamento profundo e ajuda-me muito, mas sinto falta dos benefícios físicos que uma prática mais completa pode trazer.

Desde que parei de fazer ioga, contudo, ou fiz em grupos em que não me sentia tão bem, que nunca mais voltei a sentir tantos benefícios. Em alguns, nem mesmo pequenos benefícios. Não culpo os professores nem os grupos, sei que sou eu que estou a "captar cenas"; ou seja, em linguagem esotérica, energias. E se eu não me sentir bem com a energia do grupo, nada feito. Para já não falar com a energia do professor. É assim com tudo. O grupo aqui de casa, que sou eu, a gata, as mobílias, a carpete e o meu tapete, funcionamos lindamente. Ainda estamos a aprender coisas acerca de disciplina e assiduidade, mas acho que estamos no bom caminho!