Foi a minha viagem de finalistas. Sempre fui muito individualista. Os meus colegas foram para um qualquer destino de praia, no sul de Espanha, num rasgo de absoluta originalidade. Um sítio onde se pudessem enfrascar à vontade à noite, já que a "vida séria" estava prestes a começar. Não compreendo por que motivo têm de haver datas marcadas para nos sentirmos assim ou assado ou para gostarmos disto ou aquilo. As coisas que eu gostava de fazer, nunca tiveram data para acabar, só porque uma fase da vida acaba. Ok, as coisas que eu gostava de fazer nunca incluíram estilos de vida tão ruinosos que não se podem praticar mais do que uns quantos anos. Nunca gostei de me enfrascar, pelo que os meus colegas não estranharam quando eu disse que não queria ir. E, grande festa, quando achei uma desculpa ainda melhor do que simplesmente não querer (por mais queridos e simpáticos que os meus colegas de curso fossem - que eram, ainda hoje falo com metade deles - ok, eram poucos). Eu era diferente e eles, mesmo assim, aceitavam-me como eu era. Serei para sempre grata aos que foram suficientemente corajosos para tal (triste, este mundo, onde é preciso coragem para se aceitar a diferença). Hoje, já não me sinto assim tão diferente, mas na altura sentia. E era. É que os adolescentes costumam sentir-se diferentes sem serem (porque depois acabam a ser completamente iguais entre si). Eu hoje sou uma pessoa tão normal que chateia. Mas agora apetece-me ser assim. Eu que falei tanto contra a normalidade. Vou tentar não ser assim muito muito normal. Mas é que o descanso está a saber-me bem. Quando descansar, e me cansar de ser normal, logo volto a ser anormal. No meu caso, não é difícil (tenho propensão genética). Mas sabemos que os seres humanos costumam ter dificuldade em ser anormais sem prejudicar ninguém, algo de que faço questão. Ao ser anormal como deve ser, é preciso lembrar-nos disso. Se não, não vale.
Mas voltemos ao assunto do post. Encontrei uma desculpa que não só fazia com que a ideia de que eu não queria a companhia dos meus colegas se dissipasse, ao mesmo tempo que me dava um aspecto mais "cool". Eu tinha uma amiga que estava a fazer Erasmus em Itália e que me tinha convidado para ir ter com ela. Era uma oportunidade que eu não podia perder. Pouco tempo depois ela estaria de volta a Portugal, portanto eu tinha de aproveitar. E foi assim que rumei a Bolonha. Sozinha num avião.
(continua)



