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sábado, 16 de setembro de 2017

Et pasta in Italy - Parte I



Foi a minha viagem de finalistas. Sempre fui muito individualista. Os meus colegas foram para um qualquer destino de praia, no sul de Espanha, num rasgo de absoluta originalidade. Um sítio onde se pudessem enfrascar à vontade à noite, já que a "vida séria" estava prestes a começar. Não compreendo por que motivo têm de haver datas marcadas para nos sentirmos assim ou assado ou para gostarmos disto ou aquilo. As coisas que eu gostava de fazer, nunca tiveram data para acabar, só porque uma fase da vida acaba. Ok, as coisas que eu gostava de fazer nunca incluíram estilos de vida tão ruinosos que não se podem praticar mais do que uns quantos anos. Nunca gostei de me enfrascar, pelo que os meus colegas não estranharam quando eu disse que não queria ir. E, grande festa, quando achei uma desculpa ainda melhor do que simplesmente não querer (por mais queridos e simpáticos que os meus colegas de curso fossem - que eram, ainda hoje falo com metade deles - ok, eram poucos). Eu era diferente e eles, mesmo assim, aceitavam-me como eu era. Serei para sempre grata aos que foram suficientemente corajosos para tal (triste, este mundo, onde é preciso coragem para se aceitar a diferença). Hoje, já não me sinto assim tão diferente, mas na altura sentia. E era. É que os adolescentes costumam sentir-se diferentes sem serem (porque depois acabam a ser completamente iguais entre si). Eu hoje sou uma pessoa tão normal que chateia. Mas agora apetece-me ser assim. Eu que falei tanto contra a normalidade. Vou tentar não ser assim muito muito normal. Mas é que o descanso está a saber-me bem. Quando descansar, e me cansar de ser normal, logo volto a ser anormal. No meu caso, não é difícil (tenho propensão genética). Mas sabemos que os seres humanos costumam ter dificuldade em ser anormais sem prejudicar ninguém, algo de que faço questão. Ao ser anormal como deve ser, é preciso lembrar-nos disso. Se não, não vale.  

Mas voltemos ao assunto do post. Encontrei uma desculpa que não só fazia com que a ideia de que eu não queria a companhia dos meus colegas se dissipasse, ao mesmo tempo que me dava um aspecto mais "cool". Eu tinha uma amiga que estava a fazer Erasmus em Itália e que me tinha convidado para ir ter com ela. Era uma oportunidade que eu não podia perder. Pouco tempo depois ela estaria de volta a Portugal, portanto eu tinha de aproveitar. E foi assim que rumei a Bolonha. Sozinha num avião.
(continua)


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Tempo Parado (become who I always wanted to be)


Eu queria ser diferente do que era. Olhava para mim e achava que eu não era eu, que era só parte de mim. Outra eu estava escondida em outra dimensão e eu não sabia como chegar-lhe. Não desgostava daquela parte, mas estava cansada da incompletitude. Vivia curiosa de saber como era eu na íntegra, mas ao mesmo tempo medrosa de nunca vir a conhecer e ter de viver para sempre assim. Obliterada. Por medos e inseguranças que não deixavam fazer nada, ou quase nada. Nada que me fizesse sair da zona de conforto. Nada que permitisse conhecer o que não conhecia, correr riscos. E como eu gosto, e como eu preciso, de sair da zona de conforto! A pessoa que eu sou e sempre fui, sempre precisou sair todos os dias da zona de conforto. Para evoluir, para a alma se nutrir. Mas eu não conseguia sair. Como se existissem umas amarras invisíveis, como se não conseguisse evoluir por o tempo ter parado para mim. Sentia-me congelada e parada no tempo, ao mesmo tempo que todos se moviam em todas as direcções, eu estava ali, parada, para o bem e para o mal. Olhava ao redor e sentia que, para me mover em certas direcções que via outros moverem-se, pois, mais valia estar quieta, sossegada e congelada. Mas queria poder decidir em que direcção ir. Queria também eu trilhar o meu próprio caminho, ter a coragem de fazer o que não via mais ninguém fazer, só eu faria. Queria ter a força que não tinha, para desbravar caminhos só meus. 

Mas não estava assim tão parada nem assim tão congelada. E o mundo não se movia assim tanto e não me deixava assim tanto para trás. Sem querer, eu trabalhava em coisas que não se viam no imediato, aprendia coisas preciosas e adquiria mais sabedoria do que em mil viagens. Mas estava cansada da monotonia, ainda que fosse apenas sensorial. 

Até que saí dali. De repente já podia correr riscos, já podia - e devia - sair da zona de conforto. Não sei ao certo o que sucedeu, o que mudou, mas algo mudou e nada voltou a ser como era. Ao princípio fiquei confusa, não sabia para onde me dirigir, o que fazer com o novo "plafond" energético. Mas quando dei por mim, era exactamente a pessoa que eu sentia que podia - e queria - ser. Sem grandes medos, sem grandes inseguranças, com a coragem a poder ser. A poder ser eu mesma, como nunca antes. Não fiz nada por isso, apenas aconteceu. Apenas desejei; isso sim, eu fiz. Desejar, desejar. E quando se deseja muito, do fundo do coração, os desejos concretizam-se