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domingo, 17 de setembro de 2017

Go to a U2 Concert


"Só sei que escolheram para ir a Coimbra exactamente no ano em que eu lá estava. Devo, portanto, felicitar o grupo pela excelente escolha. Sei também que, nos dias imediatamente antes, a cidade ficou absolutamente caótica. Estava eu, descansadinha, às compras no Jumbo do Dolce Vita, muito atarefada porque esperava visitas, em parte, mas de forma muito particular por estar ainda em processo de instalação de mim mesma, quando tento sair do Centro Comercial e não sou capaz. Não sei quantas horas levei a fazer um percurso que, normalmente, é feito em cerca de 4 minutos, pouco mais quando há trânsito. O espaço ao redor do Estádio Cidade de Coimbra estava absolutamente submerso em camiões gigantescos, negros e amarelos. Tive de ir dar uma volta enorme porque não pude seguir o meu caminho normal. Quando cheguei a casa, estavam as visitas prestes a chegar, e a comissão instaladora que estava a auxiliar-me com o processo de instalação, prestes a sair. Pequenos pormenores que avivam a memória de dias magníficos! Queria muitos mais como estes.


Gosto de ter visitas. No sábado, eu e as visitas só nos despachámos para sair de casa quase a meio da tarde. Fomos ao Dolce tentar comer alguma coisa, mas foi deveras complicado, afinal de contas, esse dia já era dia de Concerto dos U2, e estava tudo cheio de gente. Ainda por cima, o tempo não estava a facilitar muito e chovia lá fora. Fomos passear pelas lojas, encontrámos gente conhecida (pouca, afinal de contas, quem é que tinha conseguido bilhete para o dia 2??), deambulámos por ali horas a fio. Eu já andava armada em pessoa poupada; acho que resisti àquele banho de lojas sem comprar absolutamente nada. Ainda tentámos andar um pouco pela cidade, mas em vão. Fora aconselhado a quem não tivesse mesmo de ficar para o fim de semana, a fugir dali para fora. Sei de quem o fez, e fez muito bem, porque muitas áreas da cidade estavam absolutamente intransitáveis. Havia polícia por todo o lado a fechar muitas vias. A loucura total. Ainda cheguei a pensar: mas quem é que estes gajos pensam que são para manipular assim a vida de uma cidade inteira? Mas imediatamente calei este pensamento, por motivos óbvios.


Ainda conseguimos ir até à Praça da República, mas pouco mais. Desistimos da cidade, agarrámos na viatura e dirigimo-nos novamente ao Dolce. Jantar agora bem mais calmo, cá fora na esplanada, ao som do concerto dos U2 que a essa hora já decorria a todo o vapor. "Aaaiii, os meus U2!! Quem me dera já lá estar" - gritava alguém de nós, em desespero. Que tortura! Já eu, achava que ainda bem que fiquei para último; se não tinha de aguentar a ideia de o meu concerto já ter passado e haver gente que continuava a divertir-se. Seria certamente, muito difícil. Preferi assim, mas houve quem quase morresse de ansiedade. A seguir ao jantar ao som dos U2 - e é que não se ouvia mesmo nada mal - fomos ver um filme em que já andávamos de olho há muito - O Aprendiz de Feiticeiro, com o Nicholas Cage.


E lá fomos. Estava a malta toda contente a ver o filme - bem giro por sinal - mais uma vez, também, ao som dos U2, quando chega o tempo do intervalo. Entretanto, uma marmanja grávida do Norte levanta-se, corre até à porta da saída de emergência e abre-a. Qual não é o nosso espanto quanto conseguimos, a partir dali, uma vista privilegiada para o Estádio onde actuavam os U2!! Houve gente a ficar histérica, outros a congratular a grávida que gritava "Eu sabia, eu sabia, eu tinha cá um feeling, eu tinha de experimentar, era mais forte que eu! Estive no Estádio no dia seguinte, mas jamais esquecerei a vista que tive dali: estava apenas a alguns metros da parte superior da estrutura (o aranho, como lhe chamou um amigo meu), onde estavam colocados os écrans gigantes que nos permitiam ver melhor o que se passava em cima do palco. A vista para o estádio era simplesmente espectacular: via-se tudo a partir de uma das pontas; o estádio a abarrotar de gente, uma multidão de flashes de máquinas fazia parecer que o negro da noite brilhava de brilho próprio. A audiência estava completamente ao rubro, absolutamente rendida. Fiquei extasiada com uma das visões mais belas que tive em toda a minha vida e questiono-me se os bilhetes atrás do palco, aqueles de  30 euros, mais baratuxos, que ninguém quer, seriam assim tão pouco bons. Mas enfim, não tive tempo de ponderar esses prós e esses contras, pois rapidamente veio a segurança toda a correr para nos expulsar; uma senhora segurança armada de cara feia; claro, a ela não fazia diferença, afinal de contas estava ali a assistir a tudo!


Houve gente que já nem viu o filme como deve ser, da excitação! Houve gente que me deu cabo do juízo o tempo todo até casa. Quando estávamos a sair do filme, estava o pessoal a começar a sair do concerto e nós apressámo-nos para não levar com a barafunda em cima. Apressámos-nos, enfim, eu tentei apressar-me, mas houve que não estugasse o passo assim tanto.


O domingo foi inteiramente dedicado aos U2. Já não me lembro bem, mas acho que comemos uma porcaria qualquer em casa para não estarmos a perder tempo a tentar almoçar num shopping completamente inundado de gente. Depois, a malta toda a aprontar-se muuuito bem, não fosse alguém ter visão especial lá do palco e ver o pessoal descomposto! Mas mesmo assim, houve metade da toilette que não consegui fazer, porque havia gente a stressar completamente, aos gritos "Despacha-te, os meus U2!!"; nem tive tempo de pôr o telemóvel a carregar caramba! Tinha lá os meus amigos todos naquele Estádio e mal lhes pude enviar sms, porque não tinha bateria no telemóvel!



A entrada foi muito fácil: quem sabe, sabe. Levámos apenas 10 minutos a pé até ao Estádio; depois dividiram-nos por filas, consoante fosse a porta por onde deveríamos entrar. Esperámos meia-hora, de rabo assente no chão, até que as portas abrissem e a entrada começasse a fazer-se. O stress foi sim para o resto do pessoal que vinha de autocarro, pois tiveram dificuldade em chegar a tempo - os autocarros que se falou que se haviam de organizar partindo de alguns locais do país e que sempre se organizaram. Os U2 são, definitivamente, milagreiros. Havia quem já desesperasse, quem já achasse que o autocarro não ia chegar a tempo, porque entrou por norte (para ali seria sempre melhor a entrada sul), como fazem, aliás, todos os autocarros, mas esses não costumam ir para o Estádio e sim para a Rodoviária. Depois do stress, já estávamos nós dentro do estádio, entrada fácil fácil, sem barafunda, houve quem começasse a achar piada aos seguranças que, felizmente, nos fizeram passar por maravilhosos, práticos e rápidos detectores de metais, nada de outros procedimentos deprimentes. Foi rápido e fácil encontrar a porta, foi rápido e fácil subir a escadas e encontrar nova porta que desse para a espectacularidade do estádio. Estava preocupada, porque o resto dos meus amigos estava tudo no relvado, e estava mesmo com muita vontade de chover... só nós, nós, VIPS, nas bancadas!! E não das bancadas descobertas: nós estávamos mesmo debaixo das bancadas cobertas... haja sorte! Ainda choveu um bom bocado, mas felizmente, algum tempo depois do concerto começar, a chuva parou.





Tadinhos dos Interpol! Por um lado é interessante ir abrir o concerto dos U2, mas por outro é desgastante! O público não vibra da mesma forma, afinal estão ali para ver os U2. Mas deram um show fabuloso, eu gostei imenso! O vocalista é que se foi embora dizendo: "Vá... fiquem lá com os vossos U2!!"... Esses gajos, directa ou indirectamente, são um bocado sanguessugas (isto estou eu a dizer...); opá, coitados, mas não têm culpa de serem tão amados!!





Estávamos exultantes e saltitantes nos nossos lugares, comíamos e conversávamos quais matracas descontroladas. Nada de lixarada, hein? Tudo para dentro de um saquinho que a menina do costume havia trazido para o efeito! Deu tempo ainda para trocarmos muitas impressões e sms com o resto do pessoal que por ali estava espalhado. Decorreu ainda bastante tempo desde o momento em que entrámos até ao momento em que eles começavam a actuar. Incrível como uma pessoa consegue ficar com algumas dores de barriga só da excitação! Claro que os U2 tinham já o seu kit anti-chuva; uns cogumelos fantásticos, transparentes e tal, tudo muito giro, muito giro, como sempre. Tivémos também direito a relógio onde eram assinalados os segundos que passavam, qual passagem de ano. Quando eles finalmente entraram, foi fumarada para todos os lados, e gente aos guinchos também. A loucura total, mesmo. Entraram logo a chamar Briosa à nossa maravilhosa cidade; esta malta sabe-a todinha (e porque não?).











E a partir daí foi sempre a abrir. Fiquei rouca de tanto cantar, fiquei exausta de tanto dançar. Uma pessoa esquece-se que o resto do mundo existe. Naquele momento só existimos nós e a música, mais nada. É simplesmente transcendental. E, tal como alguém dizia na TV, aquando a última vinda dos U2 a Portugal, antes desta, alguém que aguardava por vez na fila para comprar os bilhetes: "não dá para explicar; acho que é algo espiritual". Está tudo dito. Eu também gostava de saber o que é que eles têm que os outros não, tenho dificuldade em explicar; talvez a facilidade em criar proximidade que o Bono tem, e música mesmo muito boa; e isso vale só por si. Uma enorme capacidade de desenhar melodias que se entranham, que ficam connosco, arrastando as próprias letras. A música deles flui com uma facilidade incrível; as letras memorizam-se sem darmos conta. Ouvimos uma vez e outra e outra e apetece sempre ouvir.


No fim, como sempre, a javardice do costume... mas nós, não! Estávamos exaustos, mas levámos o saquinho de plástico tranquilamente para casa!!"
(17 de Julho de 2011)


Para saber ao certo como foi o concerto: aqui.

Antígona de Sófocles, por Brecht



Gosto de consumir cultura e arte. Muitas das minhas experiências mais significativas dizem respeito a isso mesmo, pelo que faço colecção de folhetos, bilhetes de tudo aquilo a que fui assistindo e que fui fazendo de há uns bons anos para cá. Para mim é um motivo muito significativo para haver convívio com amigos. O simples sentar na mesa do café sem fazer nada a dar à língua não é, definitivamente, o meu ideal de convívio. Para mim, sentir que estou a fazer algo de útil, a aprender alguma coisa, a evoluir de alguma forma, é algo de absolutamente essencial ao meu bem-estar. A cultura nem sempre foi o que é neste país. Apesar de tudo, acredito que vivemos uma época como nunca houve outra, porque o regime salazarista desincentivava o consumo do que quer que fosse que não lhes dissesse respeito aos interesses deles. Depois do 25 de Abril, as pessoas não se mobilizavam para ir ao teatro, a concertos, foram influenciadas a achar que tudo isso era uma seca. Entretanto, houve  um governo que reabilitou uma série de salas pelo país fora e estimulou a cultura de forma bastante significativa, o que me afectou de forma determinante e creio que ao país também, pelo menos nesse aspecto. Eu e a minha vida, nunca mais voltámos a ser os mesmos. Mas comecemos não pelo início; antes por uma ponta: Antígona, de Sófocles, por Brecht. Também ao meu passado dizem respeito outros blogues, assim como posts que anteriormente realizei nesses mesmos blogues que acabei por tirar de circulação por entender que já não faziam sentido. Revejamos tudo isso.




"Cruzadas, guerras santas, choques civilizacionais, interesses económicos, guerras preventivas, territórios ocupados. Ontem como hoje o cenário do mito Antígona atravessando os séculos sem envelhecer, para desconsolo e angústia dos que amam a paz e se indignam com tanto atropelo aos direitos de todos os homens. Quando a Humanidade parece estar esquecida da sensatez e os ares pesam sombrios e violentos, sobre tanto céu do nosso planeta, pode a arte do teatro ficar de fora no desafio à reflexão sobre a nossa própria conduta? Na busca incessante de um repertório onde a condição humana seja retratada, chegámos a um dos mais fascinantes momentos da origem do teatro, legado da Humanidade; a tragédia grega, que segundo Aristóteles "é a representação de uma acção memorável e perfeita, de magnitude competente, recitando, actuando, cantando, declamando cada uma das partes, por si e separadamente e que move a compaixão e o terror expostos À moderação destas paixões". A obra apresenta o dilema do entendimento da contradição entre dois conceitos fundamentais do direito; o direito do indivíduo e o direito do estado. Creonte despensa as obrigações implícitas aos laços de consanguinidade, e Antígona valoriza-os ao ponto de assumir um conflito com o Estado. Ambos actuam com a intransigência que caracteriza os heróis. Duas fontes antagónicas do direito com dois protagonistas de poder desigual. O conflito entre a lei divina e a humana deixa visível o inevitável contraste entre a autoridade masculina, ditada por Creonte, e a resistência feminina, encarnada por Antígona. Esta tragédia permite-nos a reflexão sobre o mito, a solidão, a condenação, o suicídio, a morte. A versão de Brecht é realizada no rescaldo das cinzas da segunda guerra mundial. Antígona, o texto de Sófocles, representado pela primeira vez no ano de 422 aC tem exercido um particuar fascínio sobre gerações de espectadores e criadores despertando o desejo de o redescobrir à luz de novas reflexões, actualizadas na passagem dos tempos. A introdução de um prólogo contextualizado no ambiente deste conflito esclarece de forma definitiva e inequívoca o sentido universal e ao mesmo tempo contemporâneo desta obra. A nossa proposta procurará uma abordagem intemporal e metafórica que terá como pano de fundo os conflitos e o debate civilizacional que assola a sociedade contemporânea." 
(retirado do folheto informativo fornecido antes da peça) 


 "Antígona (em grego Ἀντιγόνη) é uma figura da mitologia grega, filha de Édipo e Jocasta. A versão clássica do mito sobre a Antígona é descrita na obra Antígona do dramaturgo grego Sófocles, um dos mais importantes escritores de tragédia. Esta obra é a terceira parte da Trilogia Tebana, os quais também fazem parte Édipo Rei e Édipo em Colono. A peça é feita pelo prólogo, que nesse caso é dialogado, onde as irmãs Antígona e Ismênia conversam e nos dão uma visão geral dos acontecimentos; cinco episódios; cinco estásimos, que são as entradas do coro em cena trazendo informações ao público sobre o assunto da peça; e o êxodo, parte final. Filha de Édipo e Jocasta, que tinham mais três filhos, Etéocles, Ismênia e Polinice. Foi um exemplo tão belo de amor fraternal quanto Alcestes foi do amor conjugal. Foi a única filha que não abandonou Édipo quando este foi expulso de seu reino, Tebas, pelos seus dois filhos. Seu irmão, Polinice, tentou convencê-la a não partir do reino, enquanto Etéocles ficou indiferente com sua partida. Antígona acompanhou o pai em seu exílio até sua morte. Quando voltou a Tebas, seus irmãos brigavam pelo trono. Polinice se casa com a filha de Andrastos, rei de Argos, e junto com este arma um ataque contra Tebas, que é chamado de expedição dos "Sete contra Tebas" onde Anfiarus prevê que ninguém sobreviveria, somente o rei de Argos. Como a guerra não levou a lugar nenhum os dois irmãos decidem disputar o trono com um combate singular, onde ambos morrem. Creonte, tio deles, herda o trono, faz uma sepultura com todas as honras para Etéocles, e deixa Polinice onde caiu, proibindo qualquer um de enterrá-lo sob pena de morte. Antígona, indignada, tenta convencer o novo rei a enterrá-lo, pois, quem morresse sem os rituais funebres, seria condenado a vagar cem anos nas margens do rio que levava ao mundo dos mortos, sem poder ir para o outro lado. Não se conformando, ela enterra Polinice com as próprias mãos e é presa enquanto o fazia. Creonte manda que ela seja enterrada viva. Sua irmã Ismênia tenta defendê-la e se oferece para morrer em seu lugar, algo que Antígona não aceita, e Hêmon, seu noivo e filho de Creonte, não conseguindo salvá-la, comete suicídio.Ao saber que seu filho havia suicidado Eurídice, mulher de Creonte, também se mata." 
(da Wikipédia)


Sobre a companhia de teatro: " O TEATRO DAS BEIRAS foi fundado em 7 de Novembro de 1974 com o objectivo de produzir espectáculos teatrais com regularidade. A partir desta data o Teatro das Beiras produziu mais de sessenta espectáculos de autores tão importantes como Gil Vicente, Goldoni, Brecht, Aristofanes, José Triana, Molière, Pirandelo, etc. Com estes espectáculos o Teatro das Beiras realizou mais de 2.000 representações para mais de 200.000 espectadores, tendo participado em festivais de teatro por todo o país. Em 1994 ao atingir os 20 anos de actividade ininterrupta, o Teatro das Beiras caminhou para uma nova etapa: a profissionalização da companhia de teatro, que veio a acontecer em Novembro desse ano. Em Janeiro de 1998 é atribuído à Companhia o Diploma Utilidade Pública. Todos estes anos de actividade profissional desta companhia, provaram a eficácia e consistência pela quantidade e qualidade do teatro produzido e da sua relação com o público, a inevitabilidade da importância deste projecto. Os dados estatísticos embora francamente positivos em número de montagens, de espectáculos apresentados e do aumento muito significativo de públicos de todas as idades, não analisam aquilo que o Teatro das Beiras supõe poder contribuir no sentido formativo dos públicos que conseguiu sensibilizar, sem paternalismo, proporcionando a educação do gosto, a reflexão do mundo e do homem, no fundo aquilo que o teatro como espaço de reflexão sobre a condição e natureza do homem pode proporcionar. O trabalho regular e sistemático com o público da região cumpre uma missão de serviço público na democratização do acesso aos bens culturais, no qual nos orgulhamos de participar, mantendo um projecto de criação artística activo e preocupado numa cidade do interior. O número de espectáculos apresentados no espaço nacional, a convite de várias Instituições de promoção e divulgação cultural, atestam o facto desta companhia, comparticipar activamente no crescimento qualitativo verificado na produção artística nacional. O Teatro das Beiras é sem complexos um projecto de descentralização para a região da Beira Interior que assiduamente mostra o seu trabalho por todo o país."


Eu adoro, simplesmente adoro clássicos... eu sei que, geralmente, são dramalhões... e eu não acredito em dramalhões... mas há, de facto, algo que me fascina... aquela forma "trabalhada" de falar, sempre em recitação, uma vez que há um livro, um clássico, servindo de base aos próprios diálogos... as ideias e as formas de ver das diferentes épocas... a constatação da distância e simultaneamente da proximidade das questões colocadas... é sempre interessante a ideia de que a intransigência, assim como o esquecer dos sentimentos alheios, levam à ruína certa... claro que, nos dias de hoje, algo mais elaborado seria, talvez, mais adequado, afinal de contas, somos mais complexos... mas é curioso, pois a arte de hoje foi construída em cima dos alicerces lançados por este tipo de obras, que hoje constituem estereótipos, alguns deles semi-obsoletos, outros desconcertantemente e "preocupantemente" actuais. Há muito que não assistia a teatro; e de cada vez que o faço, recordo-me do quanto gosto de teatro... da representação partilhando da mesma atmosfera de quem assiste... sentem-se as energias, as vibrações... acho que a partir do momento em que possui alguma qualidade, é sempre um espectáculo único.
(28 de Outubro de 2009)



 Creio que este foi o dia, ou melhor, a noite, em que os bilhetes para os U2 foram postos à venda um pouco por todo o país, para um segundo espectáculo, a realizar-se num domingo, uma vez que o primeiro espectáculo, a realizar-se num sábado, estava esgotado. Lembro-me do que penei para tentar conseguir bilhetes para sábado, do que pedi à minha mãe que tentasse alguma coisa na net. Estava a dar aulas a adultos, nessa altura. E estava a tentar trabalhar com a questão dos bilhetes latente (difícil). Caramba, não é que fosse assim tão importante. Mas que raio, não havia de morrer sem ver os U2! Na altura, eu gostava bastante (e agora ainda gosto, só já não é tanto). E tinha motivos muito especiais e afectivos para querer estar no Estádio Cidade de Coimbra no dia do concerto. Mas para sábado, nada se conseguiu. Entretanto, a gente que ficou de fora foi tanta ou tão pouca, que os managers e essa malta toda lá puseram em andamento a novidade: os U2 iriam dar um segundo espectáculo em Portugal, logo no dia a seguir ao primeiro. E desta vez, haveria bilhetes um pouco por todo o país. Anteriormente, tive de me deslocar a Coimbra se quis pelo menos tentar comprar os bilhetes. Lembro-me de, no fim de semana anterior, ter ido a Coimbra de propósito ver se conseguia alguma coisa. Chegámos mais ou menos cedo, mas já a fila saía da Worten do Centro Comercial Dolce Vita do Estádio, e dava uma bela curva por ali fora. Ainda me pus na fila, mas a certa altura alguém vem dizer-nos que já só faltavam não sei quantos bilhetes. Fizeram-se as contas e muita malta foi para casa. Foi simpático, afinal poupou ainda mais espera em vão a muita da gente que ali estava. Estávamos a falar de comprar bilhetes para um concerto que se iria realizar dali a mais de um ano. Eu nem sabia muito bem onde iria estar a trabalhar nessa altura, se seria fácil ou difícil chegar a Coimbra no dito fim de semana... Mas a este respeito, continuarei a falar no post seguinte.