sábado, 16 de setembro de 2017

Eat pasta in Italy - Parte II


A minha mãe e o meu avô foram levar-me ao aeroporto. Estava muito nervosa. E a sentir-me um bocado culpada por estar a fazê-los ir até ali, quando não iam ter a parte boa do assunto. E quando iam voltar para casa numa aventura de autocarros e metros. Hoje já há metro que vai dar directamente ao aeroporto, mas na altura não havia. Fui muito tempo antes, já nem me lembro bem, acho que de táxi. Ainda de madrugada. Esperei bastante tempo até à hora do avião, com um friozinho no estômago. E aquela sensação horrorosa de nos levantarmos muito cedo e apanharmos logo uma pilha de nervos ao pequeno-almoço. Mas valia a pena o sacrifício. Antes disso, só tinha voado para o Funchal, Madeira. Mas aí ia com os meus pais. Desta vez ia sozinha. Só perto da hora de embarque é que deixei os meus queridos companheiros. Muito nervosa, muito nervosa. Não me fosse baralhar com as portas de embarque. Já tínhamos andado a tentar perceber qual seria a minha, quer para eu me sentir mais segura, quer para evitar que eu me enfiasse no buraco errado. E localizámos o sítio, e quando fui, já sabia qual era o buraco. Ao fim de algum tempo de espera, não muito, a senhora agarrou nas minhas papeletas, disse que estava tudo bem e, em menos de nada, eu estava lá dentro. A sentir-me aliviada. Ok, a parte do buraco tinha corrido bem. Mas agora estava com medo que a minha amiga me falhasse à chegada. Medo da descolagem? Nenhum. Medo da viagem, nenhum. Sempre fui assim, sem qualquer medo de voar, muito pelo contrário. Sempre achei as descolagens estimulantes. Adoro descolar de avião.  

Mas tinha medo de chegar a Itália e não conseguir comunicar com a minha amiga. Que o telemóvel me falhasse, que a amiga falhasse, que algo falhasse e eu ficasse ali, no aeroporto, durante uma semana, até chegar o dia para o qual eu já havia comprado o bilhete de volta. Mas o telemóvel funcionou bem e a amiga chegou lá. Um pouco atrasada, mas chegou. Aeroporto de Bolonha. Lembro-me de alguns pormenores. Afinal de contas, já lá vão quase 20 anos. Fomos para a casa dela de autocarro. Como ela se sabia mover bem por lá! Acho que se sentia bastante orgulhosa, e tinha motivos para isso. Um pouco como eu me senti cerca de 10 anos mais tarde quando me mudei para a cidade onde vivo actualmente. Mas eu tinha várias facilidades que ela não tinha. Oh, como eu admirava a minha amiga. Quando somos jovens, estas coisas parecem todas grandes desafios e grandes conquistas. Uns anos mais tarde, estamo-nos mesmo a borrifar para se conseguimos ou não. Já não precisamos provar nada a nós mesmos. Entretanto, questiono-me se esse processo será tão saudável quanto parece. O não precisarmos de provar nada a nós mesmos é, certamente, saudável, mas que actuemos de acordo com isso é que pode não ser. Talvez seja mesmo o início do verdadeiro envelhecimento, uma forma de acelerar a nossa própria morte. É que, apesar de sentirmos isso, o nosso espírito continua a necessitar de evoluir. E para isso, necessita transcender-se.
(continua)